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CAMPINA GRANDE

Mulher morta pelo marido na PB foi a motel espontaneamente, diz delegada; ‘Ela confiava nele’

Segundo Nercília Dantas, Aderlon era obcecado por Dayse. “Ele não aceitava a separação e estava obcecado por ela, ligava várias vezes pros amigos e parentes, pra saber com que roupa ela saía, em que horário, com quem ela saía, tudo que ela fazia, mesmo estando separados”.

03/05/2019 23h10
Por: Redacao
Fonte: G1

A mulher morta pelo marido em um motel na BR-104, entre a saída de Campina Grande e a cidade de Queimadas, no Agreste paraibano, foi ao local com o homem espontaneamente e, ao chegar na suíte 24 do motel, foi surpreendida pelos tiros. As informações são da delegada de homicídios responsável pelo caso, Nercília Dantas, que explicou que Dayse Ariceia confiava em Aderlon Bezerra, e foi ele quem dirigiu o carro dela até o local do crime.

Conforme os depoimentos de amigos e parentes da vítima colhidos pela polícia, Dayse chegou a comentar com uma amiga que Aderlon queria encontrar ela. “Ela foi sem saber o que ia acontecer, porque ela confiava nele’, frisou a delegada.

Segundo a delegada, a polícia tem até 30 dias para concluir o inquérito. “O inquérito está bem adiantado, as investigações já revelaram que ela foi por livre e espontânea vontade. Ele quem foi dirigindo o carro dela até o motel, como ele sempre fazia quando estavam juntos”, explicou Nercília.

Ainda de acordo com as investigações, os amigos contaram que Aderlon saiu de casa porque Dayse não aguentava mais os ciúmes do marido. “Ela chegou a dizer a uma amiga que enquanto o ciúme dele era dentro de casa, era até contornável, mas que ele começou a expor ela em locais públicos”, relatou a delegada.

A delegada disse ainda que os depoimentos das testemunhas revelaram que Dayse não tinha intenção de se separar do marido de fato, mas que ela pediu para que ele saísse de casa porque a situação estava insustentável. “Ele era muito ciumento, vivia cercando ela por todos os lados, chegou a ir ao ambiente de trabalho dela e ela já teria proibido isso”.

Segundo Nercília Dantas, Aderlon era obcecado por Dayse. “Ele não aceitava a separação e estava obcecado por ela, ligava várias vezes pros amigos e parentes, pra saber com que roupa ela saía, em que horário, com quem ela saía, tudo que ela fazia, mesmo estando separados”.

Aderlon e Dayse foram casados durante 21 anos — Foto: Reprodução/TV Paraíba

Aderlon e Dayse foram casados durante 21 anos — Foto: Reprodução/TV Paraíba

Crime planejado

As investigações apontaram que Aderlon Bezerra planejou o crime. Familiares e amigos contaram à polícia que desde o dia do aniversário de 40 anos de Dayse, no dia 12 de abril deste ano, ele estava diferente.

“Ele planejou toda a ação. No dia do aniversário dela os amigos dele ficaram com a impressão de que iria acontecer algo, a família dele relatou que ele estava esquisito e ficava indo direto no carro”, destacou Nercília.

A polícia acredita que Dayse não tenha percebido que o marido estava armado nem mesmo dentro da suíte 24 do motel. “A perícia não entregou o laudo ainda, mas aparentemente ela foi atingida com dois disparos, um na nuca e outro na boca, então a gente acredita que talvez ela nem tenha percebido que ele estava armado, inclusive ele pode ter efetuado o primeiro disparo sem ela ver a arma”, pontuou.

Dayse completou 40 anos e ganhou festa de aniversário surpresa na manhã do dia em que foi morta pelo marido em motel na PB — Foto: Reprodução/TV Paraíba

Dayse completou 40 anos e ganhou festa de aniversário surpresa na manhã do dia em que foi morta pelo marido em motel na PB — Foto: Reprodução/TV Paraíba

Arma utilizada no crime

Ainda conforme a delegada, Aderlon Bezerra não tinha posse de arma. ”Ele não tinha posse da arma, mas ainda não foi possível verificar a procedência dela, se ela foi adulterada ou se está registrada no nome de outra pessoa”, concluiu Nercília.

Casal estava separado

De acordo com a polícia, o casal estava separado havia 9 dias. Mas, segundo a família, Dayse e Aderlon já não viviam na mesma casa há cerca de um ano, quando o homem foi morar na casa da mãe dele.

“Desde que ela deixou ele, ele estava em depressão e não aceitava o fim do relacionamento, acompanhava tudo o que ela publicava nas redes sociais. Na sexta-feira (12), foi o aniversário dela e eu fiquei monitorando ele o dia todo, já imaginando que ele poderia fazer algo contra ela”, disse o irmão de Aderlon.

Homem contatou irmão após o crime

De acordo com a polícia, após matar Dayse Ariceia, Aderlon mandou mensagens no WhatsApp para o irmão dele informando que matou a mulher e que iria se matar em seguida com um revólver. A conversa foi divulgada pelo irmão dele na manhã do dia 16 de abril.

Irmão divulgou mensagens que recebeu do suspeito no momento do crime, na PB — Foto: Divulgação/TV Paraíba

Irmão divulgou mensagens que recebeu do suspeito no momento do crime, na PB — Foto: Divulgação/TV Paraíba

As capturas de tela mostram que às 21h02 o homem mandou “Ei, matei Dayse, estou me suicidando agora”. Em seguida ele liga duas vezes para o irmão e continua “Estou no parque motel, suíte 24, agora não tem mais jeito. ‘Xau mano’”. O irmão ainda tenta perguntar “com quem?” e Aderlon responde: “revólver”.

Conforme a polícia, os corpos de Aderlon Bezerra, de 42 anos, e de Dayse Ariceia da Silva Alves, de 40 anos, foram encontrados vestidos, um ao lado do outro na cama da suíte 24 do motel. O homem teria utilizado um revólver calibre 38 para atirar na mulher e, em seguida, deitou ao lado dela e atirou na própria boca.

Funcionários do motel ouviram disparos

Ainda de acordo com a polícia, o casal deu entrada no motel às 17h30 do dia 15 de abril. Por volta das 20h, alguns funcionários do local escutaram um barulho como de um tiro. Cerca de uma hora depois, às 21h, quando Aderlon mandou mensagem para o irmão dele, os funcionários ouviram outro disparo.

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